Crédito e Endividamento
27 de agosto de 2026

Dificuldades financeiras são principal gatilho associado a transtornos mentais, aponta estudo

 

Pesquisa com 1.000 brasileiros diagnosticados aponta problemas com dinheiro como principal gatilho para 34% dos entrevistados

Problemas com dinheiro aparecem à frente de questões profissionais, afetivas e de saúde entre os fatores associados ao surgimento de transtornos mentais. Pesquisa da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (ABEFIN), em parceria com o Instituto Axxus, mostra que 34,6% dos entrevistados identificaram as dificuldades financeiras como o principal gatilho de seu quadro psicológico.

As questões relacionadas ao trabalho ficaram em segundo lugar, mencionadas por 20,5% dos participantes. Na sequência aparecem relacionamentos (11%), separação (10,9%), doenças (8,3%) e luto (5%).

O levantamento foi realizado com 1.000 brasileiros de todas as regiões do país que possuem diagnóstico formal de ansiedade, depressão, estresse crônico ou síndrome de Burnout. As entrevistas, presenciais e em profundidade, foram conduzidas por psicólogos especializados.

Além de liderarem entre os principais gatilhos mencionados, as finanças tiveram algum grau de participação no desenvolvimento ou agravamento dos transtornos para 81,9% da amostra. Desse total, 27,1% consideraram os problemas financeiros a única causa do adoecimento, enquanto 32,4% os classificaram como o fator predominante em meio a outras causas. Para outros 22,4%, o dinheiro esteve entre os principais fatores envolvidos.

O cenário é acompanhado por dificuldades concretas no orçamento dos participantes. Quase sete em cada dez (69,4%) relataram problemas para pagar contas básicas, e 61,2% disseram ter dívidas. Mais da metade (53,6%) afirmou que a renda não cobre as necessidades cotidianas, enquanto 31,1% apontaram o desemprego entre os desafios financeiros enfrentados.

Para Reinaldo Domingos, presidente da ABEFIN, os resultados mostram que as consequências dos problemas financeiros não se limitam ao orçamento. “A pesquisa mostra que a saúde financeira e a saúde mental estão profundamente conectadas. Quando uma pessoa vive sob pressão constante para pagar contas, lidar com dívidas, enfrentar a falta de recursos ou a insegurança sobre o futuro, isso inevitavelmente produz impactos emocionais. O que os dados revelam é que o dinheiro deixou de ser apenas uma questão econômica e passou a ocupar um papel central na qualidade de vida e no bem-estar das pessoas”, diz.

A perspectiva sobre o futuro reforça a preocupação com as finanças. Embora 35,9% dos participantes estejam otimistas quanto à melhora de sua saúde mental, somente 20% têm expectativa positiva sobre a própria situação financeira. Ao mesmo tempo, 67,2% se declaram pessimistas ou muito pessimistas em relação ao futuro financeiro.

Mesmo diante desse quadro, 48,5% dos entrevistados nunca recorreram a orientação profissional em educação financeira.

“Estamos diante de um desafio que exige ações em várias frentes. É preciso ampliar a educação financeira nas escolas, fortalecer programas de orientação para famílias, incentivar políticas públicas de inclusão financeira, promover ambientes corporativos mais saudáveis e aproximar profissionais da saúde mental das questões financeiras que afetam seus pacientes. Não estamos falando apenas de dinheiro, mas de qualidade de vida, segurança emocional e prevenção do adoecimento. Quanto mais cedo a sociedade compreender essa relação, maiores serão as chances de reduzir seus impactos”, conclui Domingos.

Fonte: Veja

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